16 de março de 2013

Nosso poder


Reconhecer o nosso próprio poder é percebermos que nossos humores, palavras, atitudes, decisões, interferem fortemente nas pessoas que estão em nossa volta.
Podemos exercer nosso poder não levando o outro em consideração, por exemplo, o homem que compra um carro novo para a mulher sem permitir que ela decida qual carro comprar; a mulher que fuça no celular do marido sem a permissão dele e milhões de outros exemplos que vemos no dia a dia.
Ou podemos exercer o nosso poder estimulando o que há de melhor no outro, tornando o ambiente em nossa volta agradável.
Ilustração Petia

9 de março de 2013

O Poder


Ao escaparmos do papel de vítima, ao controlarmos o medo, adquirimos poder.
Percebemos que nossas vidas não são apenas levadas pelos acontecimentos, e sim que somos nós que remamos os nossos próprios barcos.
Reconhecer nosso próprio poder é perceber que num confronto, se o outro for muito mais forte do que nós, o melhor a fazer é escapar, se o outro for semelhante a nós, o melhor é enfrentar, se for mais fraco, o melhor é termos compaixão. E que nem em todas as relações, o outro é uma caça e nós o caçador.

1 de março de 2013

O Medo


Além de alertar contra a autopiedade, D.Juan, o xamã mexicano, também nos alerta contra o medo. O medo está presente em todas as fases de nossas vidas: quando crianças sentimos medo ao começar a andar, a falar, a ir para escola; na adolescência, temos medo de escolher a profissão errada, de ficarmos sozinhos. Mais tarde, sentimos medo de assaltos, de ser seqüestrados, de sofrer um acidente, da falência física ou financeira..
Não há nada de errado em sentir medo. Todos sentem medo. O medo faz parte da natureza e é até necessário, porque é ele que nos avisa do perigo e nos ensina cautela.
D.Juan nos ensina que, se quisermos viver plenamente, precisamos encarar o medo e dominá-lo.  A questão não é não sentirmos medo, e sim, seguirmos em frente apesar dele.

22 de fevereiro de 2013

Lições de um xamã


Li pela primeira vez uma obra de Carlos Castaneda, 
o autor do livro Erva do Diabo, em um momento difícil de minha vida, quando meu marido foi diagnosticado com uma doença que podia ser fatal. 
Esperava ler um livro sobre drogas, mas, para minha surpresa, não era nada disso. O livro descrevia, nas palavras de um xamã mexicano, D.Juan, como os índios de sua etnia encaravam a vida enfrentavam e as dificuldades que todos nós enfrentamos: medo, insegurança, doença, velhice,  etc.
A pergunta que eu me fazia nessa época, e para a qual eu não tinha resposta, era porque isto (a doença de meu marido) havia acontecido conosco. É uma pergunta que todos nos fazemos quando somos atingidos por uma desgraça, um acidente, a morte de alguém querido, ou mesmo quando aquilo que desejamos ardentemente nos é negado. 
Os ensinamentos do xamã indígena, D.Juan, me ajudaram a perceber que eu, mais que resposta a minha pergunta, estava adotando o papel de vítima, sentindo pena de mim mesmo, e que precisava lutar contra esse inimigo, pois a autopiedade é um veneno que enfraquece nossas almas e nos torna impotentes..

10 de novembro de 2012

A Transformação

Eduardo sonhou que estava num bar imenso, onde ia tocar com sua banda. Neymar, o jogador de futebol, ia tocar também, ele sabia tocar, mas estava tocando os acordes errados. Eduardo localizou no celular, via internet, a partitura da música que iam tocar e mostrou para o Neymar. Nesse momento, Eduardo viu uma mulher linda, mas achou que não era para o "bico dele" e foi sentar num canto do bar. Para a sua surpresa, a mulher veio em sua direção e sentou ao seu lado, bem encostadinho.
Esse sonho mostra o quanto Eduardo havia avançado em seu processo terapêutico. Tempos atrás ele tinha sonhado que Neymar, seu aspecto masculino inconsciente, estava amarrado. Nesse sonho ele está livre, desenvolvendo uma nova habilidade, indicando que Eduardo estava conseguindo transformar seu lado arrogante em algo criativo.
No primeiro sonho de Eduardo, o feminino aparece apenas com pernas, com o tempo apareceu em seu sonho como uma cachorrinha, nesse ela surge em seu aspecto humano e inteira, indicando que houve também crescimento no aspecto feminino de Eduardo. A terapia estava avançando, Eduardo estava se tornando mais ele mesmo: mais solto e atraente, sem receio de se aproximar das mulheres.

27 de outubro de 2012

Tornando-se adulto

Eduardo não sabia se era um sonho ou uma imagem, pois parecia real: "Eu e o meu pai estávamos num barco pescando, o meu pai desapareceu e eu tinha que pescar sozinho, pensei: e se eu pescar um peixe envenenado?"
Essa é uma boa imagem que mostra um fato muito real: o filho deve aprender a pescar com o pai, mas chega um momento em que o pai tem que sair de cena e o filho tem que seguir sozinho o seu caminho. Tem que pescar sozinho, mesmo que isso seja perigoso, isto é, que aja peixes envenenados no rio. É o momento em que o individuo deixa de viver o papel de filho para tornar-se um homem adulto. Eduardo estava nesse momento, mas tinha medo de não ser capaz de caminhar com suas próprias pernas.
É incrível a semelhando desse sonho com um conto de fadas: Era uma vez um pescador que tinha um filho...

21 de outubro de 2012

Sonhos e Contos de Fadas

Quando li pela primeira vez um livro de Marie Louise Von Franz, uma discípula de Jung, sobre  interpretação de contos de fadas, fiquei fascinada: senti que um novo universo abria-se a minha frente. Contos que antes pareciam bobos, quando compreendidos em seu sentido simbólico tornavam-se ricos de significados. Mas, você pode perguntar, "qual é a utilidade de aprender a interpretar contos, não é como pesquisar o sexo dos anjos?" A resposta estava no próprio livro: tanto os sonhos quanto os contos utilizam-se da mesma linguagem: a simbólica. Ao aprendermos a interpretar contos, estamos aprendendo a interpretar sonhos e é compreendendo os sonhos que compreendemos as pessoas.
Um bom exemplo é a afirmação de Marie Louise: um fator comum nos contos de fadas é que sempre que o personagem relaciona-se  bem com o cachorro ele tem um final feliz, e quando acontece o contrário, o personagem não é o herói e sim o vilão. Assim, simbolicamente, relacionar-se bem com o cachorro nos sonhos, significa relacionar-se bem com o seu lado instintivo.

6 de outubro de 2012

Sonho - a tristeza

Eduardo e sua namorada se separaram, isso o deixou muito deprimido, nesse dia ele teve o seguinte sonho: 
"Era noite. Eu estava na Marginal Tietê. Vi que havia uma floresta no meio da Marginal, quando cheguei perto da floresta vi um caminhão com baú atrás, parado. Eu e uma cachorrinha entramos no baú e dormimos abraçados. O caminhão movimentou-se, mas não acordei. Quando amanheceu a porta do baú abriu-se e a cachorra foi embora. Fui olhar pela janelinha da carroceria para ver quem estava dirigindo e vi que era ninguém, nesse momento entrou luz no baú. Eu estava com receio de que a cachorra não voltasse."
O fato de ser noite, de estar na Marginal (lugar que ele considerava  sombrio), dentro de um baú, mostram a tristeza de Eduardo. O fato de ninguém estar dirigindo o caminhão, demostra que ele não se sentia capaz de tomar as rédeas de sua vida. O feminino aparece como uma cachorrinha, um ser irracional, porém capaz de amor, carinho e lealdade. Ele sente falta do feminino (a namorada), mas ainda não era capaz de vê-la como uma criatura completa, humana, igual a ele, com quem ele pudesse dividir seu destino. A luz que entra no baú ao final do sonho, no entanto, representava uma esperança.

29 de setembro de 2012

Sonho - mãe devoradora

Eduardo sonhou que estava com a namorada num estádio de futebol.  Ele entrou num quartinho embaixo da arquibancada. Lá, ele viu sua mãe, sua irmã e o Neimar. Neimar estava deitado de costas, com as mãos e os pés amarrados para trás. A mãe do Eduardo enfiou uma espécie de metal no ânus do Neimar. Eduardo  perguntou porque ela estava fazendo isto, ela respondeu que era assim que se fazia na classe média. Ele voltou para o lugar onde a namorada o esperava.
Eduardo descreveu Neimar como sendo um grande jogador, muito profissional e eficiente, mas, também arrogante.
O sonho se passa em dois planos: o da superfície, o estádio, onde Eduardo leva sua vida normal e passeia com sua anima. Na realidade, Eduardo estava apaixonado e vivendo momentos felizes.
Em outro plano, embaixo da arquibancada, no mundo inconsciente de Eduardo, as coisas não iam tão bem. Lembrem-se que no sonho anterior a namorada dirigia o avião, nesse a mãe tortura  Neimar, que representava um aspecto masculino, o de profissional bem sucedido de Eduardo. Assim, para tornar-se o homem que desejava ser Eduardo ainda precisava libertar-se dos resquícios da dominação de sua mãe.

23 de setembro de 2012

O Feminino no comando

Depois de um certo tempo, Eduardo, que estava com uma nova namorada, teve o seguinte sonho: uma mulher simples (sem maquiagem, com uma blusa com alcinhas) estava dirigindo um avião e ele estava ao lado. Eles estavam indo para Campinas. O avião não subiu muito, ele pensou: é normal, pois Campinas é muito perto. A piloto disse que o avião estava com problemas, por isso aterrizou em São José dos Campos. Ela fez que ia vomitar, disse que não estava muito bem, mas o olhou de uma maneira como se dissesse: eu não tenho nenhum problemas, só estou fazendo charminho para você cuidar de mim.
O Ego não está na direção. Quem dirige o avião é o aspecto feminino de Eduardo, sua anima, aqui, ao invés de ser vista como inferior (só pernas ou mergulhada no cocô). a anima é vista  como superior. Seu medo de ser dominado por uma mulher volta a manifestar-se: ora ela no comando, ora fazendo chantagem emocional.