28 de setembro de 2008

O Caminho do amor

Um dos grandes obstáculos que encontramos no caminho do amor, na procura de alguém que nos compreenda e compartilhe conosco os nossos sentimentos e forma de ser, é o medo de sermos rejeitados. O medo da rejeição não é algo que aprendemos na busca do amor, é um trauma, causado por rejeições passadas, principalmente na infância. O patinho feio, famoso conto de Andersen, trata da rejeição e nos ensina como supera-l.a.
O patinho foi rejeitado pela mãe por não parecer com os irmãos, pelos gansos que o achavam feio, pelo gato e pela galinha por que não partilhava dos sonhos deles, pelos humanos por ser desajeitado. Todos viam os defeitos do patinho; ninguém se preocupava em enxergar suas qualidades. De tanto ouvir que era feio, burro, desajeitado, o próprio patinho acabou acreditando que não tinha qualidades. Profundamente deprimido, sentindo-se um lixo, o patinho fugiu para o meio do lago e buscou refúgio na solidão. Porém, era inverno e ele quase morreu congelado. Da mesma maneira namoramos com um(a), depois com outro(a) e vamos pulando de rejeição à rejeição até o momento em que acreditamos que a saída é congelarmos nossos sentimentos e desistirmos de encontrar alguém que nos valorize. Mas a frieza não é uma saída para a depressão.
O patinho se libertou das inúmeras rejeições quando viu um bando de cisnes, se olhou no lago e reconheceu sua beleza, força e determinação. No caminho do amor precisamos olhar no espelho e descobrirmos nosso próprio valor e somente assim poderemos compartilhar nossa vida com o outro.
No mito de Eros e Psiquê, que nos fala sobre o caminho do amor, Psiquê era uma princesa que foi rejeitada por todos os seus pretendentes, e como o patinho, ela não desistiu de sua busca.

27 de julho de 2008

Quando Réia, a deusa da terra, paria um filho, seu marido Cronos o engolia. Réia só conseguiu salvar Zeus das garras do pai. Quando cresceu Zeus se revoltou contra Cronos, derrotou-o e o obrigou a vomitar os filhos que já tinha engolido. Os irmãos e irmãs de Zeus tornaram-se os deuses olímpicos: Hades, Posídon, Hera, Demeter e Héstia.
Héstia, porém, não quis ir para o Olimpo, tornou-se a deusa do fogo da lareira aqui na terra mesmo; assim seu templo (o fogo da lareira) estava presente em todos os lares gregos. Ela sempre se manteve afastada das politicagens e intrigas do Olimpo e se recusou a participar da guerra de Tróia. Casou-se com Hermes, o mensageiro dos deuses.
A mulher Héstia não é ambiciosa, não gosta de trabalhar em empresas e organizações, nas quais geralmente é preciso lidar com intrigas de poder para sobreviver. Ela curte atividades que possa realizar sozinha, de preferência em sua própria casa.
A mulher Héstia não consegue compreender porque muitas pessoas acham a solidão um bicho papão, para ela estar só é estar bem consigo mesma.
A mulher Héstia pode não casar. Quando casa, ou quando mantém uma relação constante com um homem, é, em geral, com um homem Hermes. Ela curte viver ao lado de um homem Hermes. Ele sai para trabalhar, viajar, enquanto ela fica em casa, realizando seu próprio trabalho. Quando ele volta traz novidades do mundo lá fora, agitação, notícias e fofocas, ela oferece a ele um refúgio, um ninho onde possa descansar.

20 de julho de 2008

Afrodite e Hefesto

Segundo uma versão do mito, Afrodite era filha de Zeus. Zeus queria transar com Afrodite, mas ela se recusou. Por isto ele a obrigou a casar com Hefesto, o único deus que trabalhava e tinha profissão - ferreiro.
Hefesto passava os seus dias dentro do vulcão, forjando obras de arte. Forjava estátuas, armaduras, coroas, o Olimpo era mobiliado e decorado por suas peças. Enquanto ele trabalhava, Afrodite ficava sozinha em casa. Até o dia em que ela o traiu, transando com Ares, o deus da guerra.
A mulher Afrodite é pressionada pela sociedade patriarcal a “criar juízo”, a deixar de viver a vida intensamente, a casar com um homem trabalhador que lhe ofereça segurança material e fidelidade, e este é o perfil do homem Hefesto.
O homem Hefesto facilmente se torna um workaholic, trabalha o dia todo, inclusive os finais de semana, chega em casa cansado, e nem olha para o “mulherão” que está ao seu lado, com efeitos desastrosos para o casamento.
A mulher Afrodite começa a ter fantasias de encontrar um homem que olhe para ela com desejo, um homem Ares, um homem que curta sexo e seja tão emocional como ela. Às vezes, as realiza.

13 de julho de 2008

Afrodite e Hermes

O mito conta que Afrodite e Hermes tiveram um filho chamado Hermafrodito, não conta como se encontraram e nem como foi a relação entre os dois. Mas, não é difícil imaginar Hermes, aquele com asinhas nos pés, o deus que adorava viajar e bater papo, ao lado de Afrodite, a deusa da arte e da beleza.
A mulher Afrodite curte o homem Hermes porque ele adora boa companhia e vive a vida com a mesma intensidade que ela. Ele até a ajuda a escapar das encrencas em que se mete, viajam, saem com os amigos, batem altos papos e dão boas gargalhadas.
Porque Afrodite não se casou com Hermes? Quem vê um casal Afrodite-Hermes se divertindo tem a impressão de que eles nasceram um para o outro. Afinal, eles tiveram um filho chamado Hermafrodito, um símbolo da união do feminino e do masculino. Foram minhas pacientes e amigas Afrodite que me deram a resposta: no dia-a-dia o homem Hermes analisa racionalmente tanto fatos como pessoas, e parece não se envolver emocionalmente com nada. Isto irrita uma mulher Afrodite, que faz exatamente o oposto: mergulha de cabeça para depois pensar aonde se meteu.

6 de julho de 2008

O mito e o mundo moderno

O mundo competitivo em que vivemos não nos deixa tempo para nada. Quando não estamos empenhados em trabalhar, ganhar dinheiro, adquirir status, ou simplesmente garantir nossa sobrevivência, temos pepinos para resolver, contas a pagar, compras a fazer, o carro para levar para revisão, um aniversário ou casamento ao qual não podemos faltar. No dia-a-dia, nossa atenção é disputada por um dilúvio de informações que nos ataca de todos os lados - da TV, da internet, dos outdoors, dos jornais, etc, etc; e no meio de toda esta agitação, esquecemos de nosso maior desejo – o de sermos compreendidos e amados pelos que nos são próximos.
O anseio por ser aceito, amado, valorizado está profundamente enraizado na psique humana. Somos animais sociais – não sabemos viver sozinhos. Mas para sentir-se integrado a um grupo, precisamos também compreender os que nos cercam. Um instrumento valioso para conhecer a si mesmo e compreender os outros é, você pode não acreditar, o mito. Mas o que é que nós, cidadãos do século XXI , temos a aprender com os antigos, com povos que viveram e morreram há milhares de anos atrás?
Viver uma vida humana, seja na cidade de São Paulo ou nas cavernas, é passar pelos mesmos estágios da infância à maturidade; é sofrer a mesma transformação da dependência da infância em responsabilidade adulta, é lutar pela sobrevivência, vivenciar o casamento e a decadência física, a perda gradual das capacidades na velhice e, finalmente, enfrentar a morte.
Os mitos nos contam como outros seres humanos lidaram com estas questões, nos dando pistas de quem somos e para onde nossas atitudes estão nos levando.
Para os gregos, por exemplo, assim como para nós, derramar o próprio sangue, matar um familiar, era o mais hediondo dos crimes. O culpado de um crime assim não podia ser perdoado nem pelos deuses e sofria uma punição mais terrível do que aquela reservada aos outros assassinos – o tormento pelas Fúrias. As Fúrias eram monstros alados, com cabelos de serpentes, cuja função era não dar um minuto de paz aos culpados deste tipo de crime. Não foi isto mesmo que aconteceu no caso que chocou o Brasil recentemente, o assassinato da menina Izabela pelo próprio pai? Quem acompanhou o caso pela TV, e viu a multidão cercando a casa do assassino, disposta a linchá-lo a qualquer preço, pode ver, com seus próprios olhos, o pai-assassino sendo atormentado sem dó nem piedade por estas Fúrias modernas, a imprensa e a opinião popular.

29 de junho de 2008

Afrodite e Dioniso

Um dos deuses pelos quais Afrodite se enamorou foi Dioniso, o deus do vinho.Conta o mito que Dioniso foi, por muito tempo, um andarilho, que andava pelo mundo seguido por um cortejo de fiéis, bacantes e sátiros:
Era o deus do vinho e da alegria de viver, e levava todos a sua volta à volúpia e à loucura. O uso do vinho enaltecia o espírito, purificava a alma, enaltecia os prazeres do corpo. Ao lado de Dioniso era possível atingir-se o êxtase, a plenitude de todos os desejos.
Afrodite, a deusa do amor, por sua vez, arrastava os seres aos desejos e à paixão. Uma união que não era de se estranhar, pois levava ao verdadeiro êxtase.
A mulher Afrodite conhece o valor da alegria e da festa e não se nega um bom copo vinho ou outra substância qualquer, desde que esta intensifique seu prazer. Procura pelo êxtase, seja este místico ou amoroso. Se sente atraída por homens, que como elas, buscam os prazeres do sexo e da paixão.
No entanto a mulher Afrodite, ao contrário do homem Dioniso, dificilmente torna-se uma viciada, pois ela dá valor demais a beleza física e espiritual, e sabe que as drogas e o excesso de sexo pode destruir sua vida – enquanto tudo o que ela mais quer é viver intensamente. Quando percebe que o espírito da morte, chamado pelas drogas, está muito próximo, muda de vida, e continua seu caminho.

22 de junho de 2008

Mulher Afrodite e Homem Adônis

Por onde passava a deusa Afrodite, tudo florescia. Certo dia, durante um passeio, Afrodite encontrou a árvore Mirra. Mirra estava grávida. Afrodite percebeu que era chegado o momento do parto e retirou o filho do ventre de Mirra. Mirra não deu a luz a um bebê, e sim, a um belíssimo adolescente. Afrodite se apaixonou, e acabou tendo um romance com o menino, que foi chamado de Adônis. Como não queria perdê-lo, Afrodite o trancou numa arca a qual entregou à Perséfone para guardar.
Perséfone, não agüentando de curiosidade, abriu a arca. Quando viu o belo Adônis, também se apaixonou. Afrodite quis Adônis de volta e como Perséfone se recusasse a entregá-lo, ficou possessa. Zeus teve que intervir – decidiu que Adônis viveria com Afrodite quatro meses por ano, quatro com Perséfone e o resto do tempo onde quisesse.
Quando uma mulher Afrodite conhece um filho da mãe (Adônis é filho de Mirra, não tem pai), faz o possível para arrancá-lo dela. Recusa-se a ir todos os finais de semana na casa da futura sogra. Faz o possível para que ele perceba que não tem nada a ver ser um eterno menino.
A mulher Afrodite não curte muito tempo a fossa de uma separação. Termina um namoro e logo começa outro. Facilmente encontra um homem ligado excessivamente na mãe, e se apaixona.
Homens que adoram a mãe tendem a idolatrar a mulher, como se ela fosse uma deusa. No primeiro momento, a mulher Afrodite curte ser idolatrada, mas chega um momento em que para e pensa: espera ai! Esta mulher por quem ele esta apaixonado não sou eu, não sou uma deusa e sim uma mulher. Quando se dá conta disso perde o interesse pelo menino, mas não quer descartá-lo. Afinal é sempre bom ser admirada e idolatrada. Enquanto não se tem outro relacionamento, é melhor deixar este em banho maria, guarda-lo numa arca, e abri-la em momentos de solidão. Até o momento em que uma amiga Perséfone conhece o rapaz e resolve transar com ele. Aí a relação entre as duas fica abalada, e o rapaz não se decide com qual das duas ele quer ficar.
Mas, logo a mulher Afrodite continua no seu próprio caminho e encontra um novo amor.

15 de junho de 2008

Afrodite e Nerite

O movimento das ondas do mar era violento. O falo de Urano amputado por seu filho Cronos, fecundava às águas, formando uma macia espuma branca. Desta surgiu a bela Afrodite. Seu perfume maravilhoso espalhou-se por toda a região.
Nerite, uma bela concha do mar, ao ver Afrodite se apaixonou. Amaram-se suavemente. O tempo foi passando. O amor entre os dois era pleno. Mas, Afrodite precisava seguir seu caminho. O convidou para juntos conhecerem o mundo. Ele recusou. Não podia abandonar o mar: seu reino vital. Ela não podia ficar. Os humanos a chamavam. Assim, despediram-se, e, Afrodite seguiu sua viagem.
Quem na não sentiu o êxtase desta união em sua vida? Já não olhou as ondas do mar batendo nas pedras, subindo aos ares? Quem já não deslumbrou as riquezas do fundo do mar? Não pegou uma linda concha e a colocou no ouvido, para ouvir o divino som do mar?
Diante da beleza do mar, do êxtase diante da música, sentimos vontade de agradecermos aos deuses, por estarmos vivos. Não deveríamos agradecer aos deuses, e sim, a Deusa Afrodite.
Assim são as mulheres Afrodite: apaixonam-se pela arte, a música, o encanto da natureza. São românticas e sonhadoras. Quando estão cansadas, a melhor maneira de se refazerem, é irem de encontro a beleza da natureza.
Atraem-se por homens sensíveis, que também se deliciam com a beleza da arte e da natureza. Juntos vivem num mundo mágico e criativo.
A união Afrodite e Nerite é semelhante a magia do primeiro amor. No qual, a realidade parece não existir. Vive-se plenamente num mundo de sonhos e encantos. Mas, não é possível viver muito tempo aparte da realidade. É preciso encontrar os amigos, trabalhar, ganhar dinheiro, construir família. Por isso, as mulheres Afrodite terminam um relacionamento, no qual tudo é sonho. Procuram uma nova relação, na qual possam viver juntos a realidade e participarem do mundo.

8 de junho de 2008

Mulher Hera

Hera é a esposa de Zeus, a rainha do Olimpo. Em uma sociedade patriarcal, Hera é a “esposa perfeita”. Ela cuida da casa com perfeição e dirige os empregados com eficiência, fornecendo ao marido uma estrutura sólida e filhos bem educados, permitindo a ele que se dedique totalmente à sua carreira. Em geral casa com homens-Zeus, homens importantes e poderosos, que tenham condições de, em troca, lhe oferecer todo o necessário para criar seu “reino”. A mulher Hera é completamente dedicada ao marido e ao lar. É o que os antigos chamavam de a “Rainha do Lar”. Freqüenta eventos e reuniões sociais ao lado do marido, sabe oferecer um jantar, se apresentar em público. Apesar de todo seu poder e status, a Deusa Hera não era uma deusa feliz. Zeus nunca foi um marido fácil – era mulherengo, e a lista de filhos que teve com suas amantes é longa demais para caber neste artigo. Hera, coitada, passava boa parte de seu tempo perseguindo as amantes e os filhos bastardos de Zeus.
Para a mulher-Hera, que se realiza através do casamento, casar bem é fundamental. Infelizmente, uma das características da mulher-Hera é a ser ciumenta e possessiva. O que pode transformar sua vida em um inferno.
Hoje, viver em função do marido, parece ser algo ultrapassado. Mas, Hera está presente quando a mulher faz compras, paga as contas, coordena a empregada, é a aliada número 1 do marido. E também está presente quando a mulher sente ciúmes e tem medo de ser traída.

1 de junho de 2008

A mulher Deméter

A Deusa Mãe Deméter ficou desesperada quando sua filha Core desapareceu. Ela saiu vagando pelo mundo. Sua tristeza parecia ser insuportável. Parou numa casa e se apresentou como babá, e foi contratada para cuidar do filho do casal.
Deméter se apegou tanto ao menino, que resolveu torna-lo imortal, para isto, toda noite ela o colocava sobre o fogo da lareira. Certa noite, a mãe do menino a pegou em flagrante, ficou apavorada ao ver o filho sobre as chamas e expulsou Deméter da casa.
Deméter foi para a cidade de Elêusis, e lá criou o seu templo. Quando o menino, que Deméter havia criado, cresceu, ela o tornou seu sacerdote.
A mulher Deméter é aquela que se realiza cuidando dos filhos, se não os tem não sossega enquanto não engravidar. Ela é aquela que quer ver toda a família reunida em volta da mesa, comendo quitutes que ela mesmo preparou.
Ela, normalmente, vê e trata o marido como um filho que precisa ser protegido.
A mulher Deméter se sente perdida quando os filhos crescem e não precisam mais de sua proteção, vive intensamente a crise do ninho vazio. Para superar esta fase, ela pode adotar uma criança, ou exercer atividades, nas quais ela possa cuidar de pessoas ou animais. Mas, ela pode sofrer se não poder cuidar dos outros da maneira que ela acha correto.
Outro caminho que ela pode encontrar é criar o seu próprio templo, isto é, encontrar uma religião, uma filosofia, se dedicar a estudos espirituais, etc.
As mulheres que não se identificam com Deméter sentem sua presença quando tem filhos, ou quando alguém querido adoece e necessita de cuidados.