31 de março de 2012

A mulher moderna


O mito de Atalanta é um dos mais “modernos” dos mitos gregos, pois Atalanta  é uma heroína que consegue conciliar amor e competição.
Atalanta era uma heroína que não se conformava com a superioridade masculina, competia com os maiores atletas olímpicos na corrida e outros esportes masculinos, e os vencia. Da mesma maneira a mulher moderna compete com os homens no mercado de trabalho e muitas vezes os vence.
Atalanta recusava-se a casar, mas seu pai, desejando um herdeiro, a pressionou e ela cedeu dizendo que só se casaria com uma condição: que um homem a vencesse numa corrida. Essa é uma imagem que mostra o desejo da mulher moderna competitiva: um homem que seja ao menos tão inteligente  e competitivo quanto ela, ao qual ela possa respeitar e compartilhar os afazeres e problemas do dia a dia.

24 de março de 2012

Mulher Moderna


Em uma sociedade tradicional os papéis masculino e feminino são claramente definidos. Deméter é a mãe; Core é a filha; Posídon é o pai e Hades o homem que rouba a filha para criar um novo lar e reiniciar o ciclo.
Na sociedade moderna os papéis estão indefinidos, pois a mulher também exerce funções antes ditas masculinas, como trabalhar fora para sustentar a família; e o homem exerce funções antes exclusivamente femininas, como cuidar do nenê e lavar a louça. Hoje, nos perguntamos: afinal o que é ser masculino ou feminino?
A mulher moderna ao acordar mobiliza seu homem interior e sai para a luta do dia a dia, faz e pensa em 10 mil coisas ao mesmo tempo, resolve mil pepinos; enquanto trabalha, coordena a distância sua casa, faz compras e paga contas pela Internet. Mas, quando chega em casa facilmente é “possuída” pelo seu homem interior, dirigindo o marido e/ou filhos como se fossem seus empregados, não tolerando erros de ninguém e muito menos os seus próprios. Muitas mulheres são torturadas pela obsessão de ver tudo limpo e organizado e não conseguem relaxar. A vida pessoal fica em cacos, pois tudo vira dever e obrigação, e já não é mais possível ficar apenas com quem se ama e esquecer um pouco da “máquina” que não para de girar.
Essa incapacidade de relaxar, de estar com o outro é sintoma da possessão de animus, é importante que a mulher perceba que está possuída, controle-se, negocie com a voz interior que não para de assoprar em seu ouvido: “Ih! não fui na farmácia. Não fiz isto ou aquilo. Fulano não fez o que eu mandei, etc”, respire fundo e curta uma noite gostosa consigo mesma ou com sua família.

17 de março de 2012

Mulher Deméter e seu lado masculino

Um arquétipo que está intimamente ligado aos arquétipos de Core e Hades é o arquétipo de Deméter. No mito grego, Core é a filha; Hades, aquele que a rapta e Deméter a mãe. Deméter era a deusa da natureza, a deusa das colheitas. Era uma deusa mãe sem marido. Foi possuída por Posídon, deus do mar, que, no entanto, nunca reconheceu Core como sua filha. Deméter criou-a sozinha. É a super-mãe, a grande-mãe, a mãe natureza.
As mulheres Deméter são evidentemente maternais. O instinto que domina a vida da mulher Deméter é evidentemente o instinto materno. A vontade de ser mãe e o prazer ao ver seus filhos crescerem.
O homem interior de uma mulher Deméter é semelhante ao mar, ora está calmo e tranquilo, criando um clima de aconchego e espírito de família; ora as ondas estão revoltas, quebrando violentamente na areia, arrastando tudo o que tem por perto, isto é, a mulher Deméter quando está possuída por seu lado masculino negativo, fica de mau-humor, raivosa, agredindo com palavras e às vezes até fisicamente, momentos depois a tempestade pode amainar e ela pode voltar ao normal.

10 de março de 2012

Anima Core


As mulheres Core são atraídas por homens Hades, ou seja, por homens que lhes passem uma sensação de força e segurança. Não são as únicas. As mulheres Hera, Atena e Demeter também buscam homens poderosos. Entre os arquétipos masculinos do tipo paterno, Hades se diferencia por ser o mais introvertido, o mais solitário. Os homens Hades não gostam de estar “no palco”, não gostam de festas e não têm paciência para as “superficialidades” da vida social.
Hades é o lado masculino de Core, da mesma maneira, Core é o lado feminino de Hades. Pode parecer surpreendente que o lado feminino de um homem Hades – poderoso, reservado e autoritário – seja uma menina mimada. Esse lado do homem Hades muito raramente vem á tona em público, somente quem o conhece na intimidade, como a esposa e os filhos, sabe que quando possuídos pela anima, ele torna-se uma menina mimada e sensível, que vive exigindo atenção da “mãe”-a esposa, reclamando sempre que se sente contrariado ou que seu caprichos não são satisfeitos.
No entanto, a união de um homem Hades com uma mulher Core, pode ser muito feliz. Desde que eles não sejam possuídos por seu animus e sua anima.

3 de março de 2012

Homem Interior Hades

Durante séculos os padrões de comportamentos mais valorizados na mulher foram Core, Demeter e Hera, padrões ligados às únicas funções que as mulheres exerciam na sociedade patriarcal: o de filha (Core), o de mãe (Demeter) e o de esposa (Hera). Em geral, o homem interior de cada uma delas tende a assemelhar-se ao seu “par” na mitologia. Core, por exemplo, casou-se com Hades – o Senhor do Submundo, o Reino dos Mortos, uma escura caverna subterrânea. As mulheres Core, quando dominadas por seu animus, tendem a cair em depressão profunda e fechar-se em si mesmas como se estivessem “presas no inferno”. O homem interior Hades é autodestrutivo: a agressividade da mulher ao invés de ser dirigida para fora, volta-se contra ela mesma. Ela torna-se hipersensível, interpretando qualquer comentário como uma crítica; se desvaloriza e perde toda alegria de viver, chegando a desejar a morte.
Mulheres Core, no entanto, nem sempre vão por esse caminho. Como “filhas” elas procuram homens fortes que possam dar-lhes uma sensação de segurança. Numa relação equilibrada, não há nada de errado com isto. Uma mulher Core sadia pode encontrar um homem que a compreenda, aumente sua auto estima e lhe dê segurança. Mas, esse é um caminho perigoso: se ela encontrar um homem forte e dominador, ele pode aumentar ainda mais sua insegurança criticando tudo o que ela faz de forma a garantir seu domínio sobre ela.
O importante, para uma mulher Core é ela perceber que este homem poderoso vive dentro de si e desenvolver sua própria auto estima e auto confiança, afastar-se de qualquer homem que tente diminui-la e ligar-se somente àqueles que a valorizam.

25 de fevereiro de 2012

Discussão de casal


Existem homens que passam a maior parte da vida possuídos pela anima, assim como existem mulheres dominadas pelo animus quase que o tempo todo. Esses são casos crônicos, que exigem tratamento especializado. Felizmente, a maior parte das pessoas é possuída apenas de vez em quando e sob certas circunstâncias.
É muito comum, por exemplo, uma discussão de casal ir pouco a pouco esquentando e despertando na mulher – o animus e no homem – a anima. Durante uma discussão que vira bate boca, a tendência é o homem ir se tornando cada vez mais venenoso em seus comentários e a mulher mais radical em suas colocações. Ambos vão ficando “fora de si” e sabem disto. Esse “fora de si” é a possessão.
Como sair dessa? Voltando a ser você mesmo. Isso não é fácil, exige auto-controle e humildade para perceber que você não precisa ganhar a discussão; que vocês podem voltar a falar desse assunto mais tarde, quando não estiverem “possuídos

18 de fevereiro de 2012

O homem interior


Assim como a Anima é o lado feminino do homem, o Animus é o homem que a mulher carrega dentro de si. É o aspecto  da personalidade que permite à mulher afirmar-se profissionalmente, ter iniciativa e ideias próprias. Hoje, mais do que nunca a mulher precisa desenvolver seu Animus para poder vencer e ter voz própria num mundo no qual os homens ainda dominam. O perigo é deixar-se dominar por ele.
A mulher dominada pelo Animus tende a acreditar que ela é  “dona da verdade”, está sempre com a razão, ás vezes, ela pode realmente estar certa. Mas, o animus faz com que ela se expresse de forma agressiva e autoritária e a discussão vira bate boca.
Porém a possessão de Animus pode se manifestar da forma oposta: levando a mulher a acreditar que ela é fraca, ineficiente, submissa, incapaz de dirigir sua própria vida, nutrindo fantasias de morte, sentindo-se torturada, deprimida pensando até em suicídio. Essa mulher tende a ser distraída, como se não estivesse plenamente presente – talvez com maneiras charmosas e femininas, mas tudo como se estivesse parcialmente adormecida.

Em suma, o animus pode levar a mulher agredir o outro (primeiro caso) ou a si mesma (segundo caso). Mas trata-se sempre de agressão e numa agressão alguém sempre sai machucado. Para uma mulher possuída o importante é reconhecer a possessão, tentar controlá-la e ativar as características positivas do seu homem interior: ver com clareza e objetividade o que está acontecendo, agir e falar no momento certo, ser criativa. Ao dominar seu lado masculino a feminilidade vem á tona, isto é, a mulher aprende a se colocar no lugar do outro, respeitar suas intuições, seus sonhos e fantasias.
As mulheres levaram anos lutando contra a tirania dos homens lá fora, agora precisam libertar-se da tirania do homem que trazem dentro de si.

11 de fevereiro de 2012

Anima

A Anima é o lado feminino do homem. Não deve ser reprimida: o homem que reprime a anima torna-se árido, autoritário e "dono da verdade". Se, ao invés de reprimi-la, o homem deixar-se dominar por ela, torna-se "um coitadinho"; sem a presença da anima na psique masculina, os homens não seriam capazes de conviver em sociedade. É a anima quem lhe dá seus sentimentos, sua intuição, sua capacidade de amar, sua sensibilidade à natureza, sua receptividade ao que é irracional, seus sonhos e fantasias.
Um traço importante do feminino é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, um homem que reprime a mulher dentro de si também oprime as mulheres que o cercam; para casar com um homem assim a mulher tem que submeter-se a sua autoridade e nunca conseguirá realizar-se.
O homem quando está dominado por seu lado feminino (independente de sua opção sexual) fica nervoso, irritado, de mau humor, sentindo-se magoado por qualquer coisa, um pobre coitado incompreendido pela mulher, vítima de tudo e de todos, nutrindo pensamentos sombrios, fazendo comentários negativos, etc.
Sem poder reprimi-la, nem deixar-se dominar por ela, o homem precisa aprender a conviver com sua anima. Precisa integrar a sensibilidade, as emoções e a tolerância que ela lhe inspira em sua personalidade masculina e perceber quando está sendo dominado por seus aspectos negativos e controlar-se.

4 de fevereiro de 2012

João e Maria apaixonam-se. João tem certeza que encontrou, finalmente, a mulher ideal; Maria conta para todas as suas amigas que João é, com certeza, o homem de seus sonhos. Até o momento em que começam as discussões. João se queixa aos amigos: eu não sei o que acontece, mas às vezes Maria parece ser outra mulher, parece que está com o diabo no corpo. Maria diz para as amigas: Eu adoro João, mas ele, às vezes, fica insuportável, parece um menino chorão.
Quando duas pessoas se apaixonam, apaixonam-se inevitavelmente pela imagem que formam da pessoa  amada. Mas essa imagem, a primeira, nunca é completa: há sempre aspectos da pessoa que só se revelam com o tempo. Um dos aspectos que uma mulher sempre demora a descobrir no homem pelo qual se apaixonou é o “o menino chorão” dentro dele, o lado feminino, o qual Jung chamou de Anima. Da mesma forma, o homem dentro da mulher, que Jung chamou de Animus e João descreveu como “o diabo no corpo” de Maria, só se revela com o passar do tempo.
Na verdade, em todo relacionamento há 4 “pessoas” relacionando-se: João e o menino chorão (seu lado feminino que faz ele comportar-se como uma vítima), Maria e seu lado masculino (que acredita estar sempre com a razão). Essa é uma dinâmica que, quando mal compreendida, destrói muitos relacionamentos que teriam tudo para dar certo. É sobre essa questão que eu vou conversar com vocês nas próximas semanas.

5 de novembro de 2011

Não lembrar de sonhos


“Os sonhos não nos protegem das vicissitudes, doenças e eventos dolorosos da existência. Mas eles nos fornecem uma linha mestra de como lidar com esses aspectos, como encontrar um sentido em nossas vidas, como cumprir nosso próprio destino, como seguir nossa própria estrela, por assim dizer, a fim de realizar o potencial de vida que há em nós.”
“A maioria das pessoas que entrevistamos na rua afirma não se lembrar dos próprios sonhos. Um rapaz, bem humorado, disse: “A única coisa que me lembro dos sonhos é que não consigo lembrar deles.” Por que as pessoas não se lembram dos próprios sonhos?
Acho que é porque não prestam atenção. Algumas pessoas que me procuraram já disseram coisa do tipo: “A senhora analisa as pessoas através dos sonhos, não é? Bem, comigo não vai dar certo porque nunca sonho” Dou um sorriso amarelo e digo: “Tudo bem, vamos ver.” Na noite seguinte eles devem ficar remoendo: “Será que vou sonhar?”  Muitas vezes, o simples fato de colocar a questão provoca um sonho. Assim, na verdade, nunca encontrei alguém que não sonhasse. Salvo, às vezes, pessoas num estado de depressão muito forte, que ficam com o que chamo de constipação onírica. Pessoas assim sonham pouco e costumam sentir-se melhor quando começam a sonhar. Os sonhos também rareiam na velhice, após os 80 anos, mas eles reaparecem um pouco antes da morte.”
Essas são citações de Marie Louise em seu livro O Caminho dos Sonhos.